sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Diário (quase íntimo) 2013

janeiro 17, quinta

"o beduíno árabe se considera superior às
demais espécies de homem, porque é só no seu mundo inóspito e hostil que se pode alcançar a plenitude da "murua".
Por isso ele é o mais perfeito, o mais nobre, o mais bonito, o mais forte, o mais capaz, o mais livre o mais feliz" (Os Poemas suspensos)

Salve Manuel Agrela
filho de al-Madeira
descendente direto de beduínos
herdeiro de suas legítimas
convicções!
(só agora descubro
- pela poesia)





quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Diário (quase íntimo) 2013

janeiro 16, quarta

O pé de orquídea
derrama ouro no jardim
resposta sutil

à ausência de cuidados


Diário (quase íntimo) 2013

janeiro 15, terça

Filipe
descobre o calendário
e quer decifrar
       o tempo
("depois que ficar de

noite, é amanhã")

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Diário (quase íntimo) 2013

Acato sugestão de amigos e passo a publicar também aqui no blog meu diário (manuscrito) de 2013 que venho publicando no Facebook. A justificativa: aqui, os textos e as imagens ficarão "arquivadas" e disponíveis, ao passo que lá... desaparecem.
Assim, de uma só assentada, os publicados até hoje. A partir de amanhã, um por dia, como deve ser.


Diário (quase íntimo) 2013
janeiro 02, quarta



Facebook
100 amigos ao 2º Dia!
Caras e corpos
conhecidos
saídos da rua
para a rede
A vida mediada
pela tela?

       ????


janeiro 03, quinta



Um Prêmio
         Literário
( SIM  X   
         X   NÃO)
Julgar, o dilema
Sim ou não?
Sentenças

(duvidosas, ambas)

janeiro 04, sexta




Falta-me um
      Calendário
e o Novo Ano
avança
sem que eu
possa fazer um
        X
nos dias
que já não são



janeiro 05, sábado



Fotografias
      no Parque
              (Água Branca)
conversas
               (raízes partilhadas)
sorvete de chocolate
              (menino lindo)
Woody homenageado
             (Paris-Manhanttan)
Queijo Quente
             e uma média
                    completam
                        o dia


janeiro 06, domingo




Atravessar a cidade
(do Sul ao Norte)
para (re)encontrar
risos perdidos - rizomas
a força do sangue
e da ancestralidade



janeiro 07, segunda




As águas de janeiro
e seu trágico
         percurso
invadem
    o que seria várzea
e de concreto e asfalto
    se revestiu
Teimosia humana
      cenas recorrentes


janeiro 08, terça





relógio interno
    atrasado
tempo real
   adiantado
(descompasso)


janeiro 09, quarta





Neto doente
    (pediatra
            papinha
     embalo)
Rotina emergencial
Tarefas inadequadas
ao peso dos anos desta
e à leveza dos poucos anos
       daquele. No afeto
a justificativa


janeiro 10, quinta




A cultura se diz
             ativa
patinando em
             obviedades
Os do Gabinete
    fingem-se de
           mortos



janeiro 11, sexta




Shopping

Desfile enfadonho
da mesmice
em série
travestida
de novidade


janeiro 12, sábado

 
 



Chove
o olhar baço do amigo
no vazio
- horizonte
       nublado -
       o sono na
curva final
 (o frio da constatação)
    vinho avinagrado


janeiro 13, domingo
 







Síndrome do PP
atinge o ápice
últimos (prometo a mim mesma)
retoques em estranhas
            formas de vida
- lidar com palavras
     vã e inútil luta
     mal anoitece


janeiro 14, segunda




Afagar
cuidar
acudir
projetar
conversar
tomar café
remexer prateleiras

(acordar espíritos)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Agenda mínima 2014

Gosto de estabelecer uma certa "agenda mínima" no primeiro dia de cada ano. Uma espécie de disciplina para poder, de alguma forma, canalizar melhor as energias criativas e vitais (que, diga-se, já lá vão diminuindo).
Isso não significa que estabeleça metas à maneira do mundo da economia e dos negócios. Jamais. Também não confundir "agenda mínima" com lista de "desejos" materiais, como "ganhar mais dinheiro" com a única finalidade de comprar mais, mesmo que sejam objetos fetiche. Nada disso (com o passar do tempo cada vez tenho menos desejos materiais e muito menos "necessidades"). Tenho mais do que pedi ou almejei, até porque não pedi nem almejei nada, fui fazendo o caminho ao andar.
Falo de uma agenda mínima no plano das ideias,. Tem sido assim com meus últimos livros, com os blogs. Este À Janela dos Dias, por exemplo, foi aberto em 1º de janeiro de 2009 e desde então se mantém. Hoje não tão ativo quanto naquele primeiro ano quando, rigorosamente, postei diariamente (nem um só dia sem uma linha). Seria a "concorrência" com o Facebook, ativado desde 1º de janeiro de 2012? ou a tal energia vital diminuída?
O fato é que tenho gostado muito de estabelecer certos projetos que nem precisam nascer tão "rigorosos" mas que acabam por materializar-se e cumprir-se se levados com uma certa disciplina.
Contrariando a norma (não escrita mas com validade tácita) de que no Facebook só valem textos breves, acabo de publicar na rede este texto, que diz de um desses itens da "agenda mínima" no último ano. Reproduzo-o aqui, pelo fato de que o blog é menos "volátil", podendo mais facilmente um texto ser localizado mesmo decorrido algum tempo.

"Em forma de balanço e votos

Apesar de transitar pelo mundo virtual há quase duas décadas, percorro suas infovias com uma lentidão, via de regra, não compatível com o meio. Ainda assim, não deixo de avançar. Blogueira desde 2006 (Blog Alpharrabio, agosto 2006, e, posteriormente, meu blog pessoal, À Janela dos dias, em 1º/01/2009). Entretanto, relutei bastante em aderir à rede social. Primeiro, como pessoa física (A Livraria Alpharrabio, sempre o laboratório da experiência). Finalmente, após um ano de observação, há exatamente um ano, ingressei no facebook.
Os que me acompanharam e me deram a honra da interação, perceberam que não entrei aqui para exercer o papel de voyeur. Antes, opinei, critiquei, elogiei, curti, ignorei, postei crônicas e poemas, fiz política (jamais com vinculação partidária, mas no sentido socrático do termo, sempre com vistas ao exercício dialético e da vivência como pólis). Enfim, acredito, "fiquei em rede", o que, pra mim, é o verdadeiro espírito da coisa. Longe de um perfil "fake", o meu reflete o que sou e penso e, é claro, isso tem um preço. Assumi e resolvi pagar (algumas vezes, inclusive, fui "barrada no baile").
Mas o fb tem sido também uma boa experiência literária como a que vivenciei ao postar diariamente, um texto retirado do meu livro "Diuturnos" (Alpharrbio Edições, 2013).
Rica experiência da palavra:  textos escritos  há 13 anos, muitas vezes anotados originalmente à mão, em cadernetas de bolso, a seguir digitados no computador onde repousaram por 12 anos em binária escuridão para, novamente, voltarem para o papel em formato de livro. Do livro e da utopia da página impressa, para a tela do computador, da forma como foram escritos, em doses homeopáticas diárias Escritos em 365 dias no ano 2000, publicados em 365 dias do ano 2013. E como, sabemos, a história anda em ciclos, na pressa deste caminho veloz, muitos dos leitores diversas vezes confundiram o texto (literário) escrito há mais de uma década, como texto escrito "no calor da hora" do dia em curso. Foi divertido e gratificante, ver a palavra saltar por tantos suportes para, enfim, diluir-se neste dia a dia maluco, esquizofrênico e acelerado mundo virtual.

Repetindo a experiência da publicação diária do texto integral do meu livro Diuturnos aqui no FB nos 365 de 2013, passo, a partir de hoje, a título de "agenda mínima", publicar o meu diário (quase íntimo) do ano 2013 que, diferentemente daquele, está manuscrito e inédito. A ideia é de que funcione como uma espécie de "retrospectiva" pessoal do ano passado. Eis aqui o primeiro de janeiro de 2013:
janeiro 01, terça



A desordem externa :
Promessa de ordenação
Interna?
Aqui vivo
Aqui escreverei 2013"

Além desta tarefa da tal da agenda mínima, há muitas outras em intenção, como a de terminar um livro iniciado no primeiro semestre de 2013 e interrompido a seguir por causas alheias à palavra.

Ah... e há também a intenção de não deixar abrir esta janela ao menos uma vez por semana.

Que 2014 nos faça cada vez mais curiosos, criativos e combativos, cidadãos por inteiro. Que a dialética, a alteridade e a tolerância prevaleçam sobre a arrogância do pensar saber tudo. Que a ganância e o ódio de classes seja banido definitivamente do planeta. Que a grandeza do repartir substitua a vileza do acumular. (dtv)


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Rito de Passagem


Eles eram muitos. Certamente todos belos e no frescor do aprendizado, na alegria das descobertas. Alfabeto decifrado, celebravam a passagem para o aprendizado formal. Dançavam e cantavam. Eles eram muito, mas aos meus olhos, eram UM!


Um pequeno ser que ali se agigantava, ser que embalei e com quem estabeleci comunicação desde a primeira troca de olhares, em memoráveis silêncios transcendentais ao som de Mozart e Albinoni. Meu neto Filipe ali estava (formando), as primeiras letras galgadas, a primeira infância cumprida, rumo à sagrada missão do conhecimento vindouro. Agora "diplomado" e um dos oradores da turma.


Meu neto Filipe ali estava (formando), as primeiras letras galgadas, a primeira infância cumprida, rito de passagem rumo à sagrada missão do conhecimento vindouro. Agora "diplomado" e um dos oradores da turma.




Eram um, que se agigantava e embaçava meu olhar. (dtv)

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Conversas recentes sobre poesia e cultura

Abaixo, links para conversas recentes minhas com gente interessante, sobre poesia, cultura e correlatos:

Arteletra Literatura - Caderno inquieto & Estranhas formas de vida (dtv e Tarso de Melo)

Arletra Literatura

http://www.youtube.com/watch?v=Fqv5rQ5Z-tk


Programa Cultura.com na Web TV Uptv, entrevista a Chico Cabrera:

Cultura.Com


Relato de Experiência no GT

Encontro da Diversidade Cultural do ABC