sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Homenagem inesperada, laços consolidados

A intenção da viagem não era propriamente “viajar”, mas pousar/repousar em casas/braços que nos abrigariam, como abrigaram, resgate de memórias/laços de sangue e de afetos.
Após um largo espaço de tempo, retornei ao Piauí (uma de minhas muitas pátrias), desta feita, levando Valdecirio, nascido naquele chão, mais especificamente, em Luzilândia, cidade que já me outorgou o título de cidadã honorária.
Após um longo período enfermo, Valdecirio, ainda fragilizado fisicamente, mas em ótima recuperação, viajou para abraçar os oito irmãos, os muitos sobrinhos e dezenas de familiares e amigos, além de sentir o sol/solo natal. Não só sentiu, como voltou/voltamos revigorados.
Uma viagem sem grande planejamento, decidida poucos dias antes, mas que se cumpriu para além do pensado e desejado.
Acompanhados de nossa sempre fiel e querida escudeira Luzia Maninha, lá ficamos por apenas seis dias, mais dois a viajar, na ida e na volta. O que eu não imaginava é que essa breve viagem, carregada de tantos sentidos e significados pessoais e familiares, também se transformaria num belo e gratificante momento literário.
Tinha reservado apenas algumas horas (quase) livres para o encontro com alguns amigos escritores  na Livraria Toccata, visita sempre obrigatória (obrigada, grandes anfitriãs, Socorro e Rita Vaz!) e, claro, também uma visita ao Mercado velho, lugar mágico, que jamais deixei de visitar nas dezenas de vezes que estive em Teresina, como de fato aconteceu.
Compromissos familiares cumpridos, inclusive com uma esticada de três dias a Luzilândia, a mais de 200 km de Teresina, deu-se o inesperado no campo literário.
Alguns amigos, liderados pelo poeta e agitador cultural Dudu Galisa (já por mim nomeado meu "agente literário" em Teresina, rss), mobilizaram-se e convocaram seus pares a participarem do já tradicional “Café Literário”, comandado pelo Professor e escritor Wellington Soares, na Livraria Anchieta, em Teresina, para uma inesperada e muito honrosa homenagem a esta poeta, ao lado de leituras em homenagem à grande Hilda Hilst. Necessário sublinhar que o Café/Sarau acontece uma vez por mês, na segunda quarta-feira e, neste caso, foi antecipado para que eu lá pudesse estar (motivo de honra maior), pois viajaria de retorno a SP, justamente no dia seguinte, quarta-feira.
Assim, no dia 10.09, uma tórrida terça-feira, temperatura chegando perto dos 40 graus,  recebi o igualmente caloroso acolhimento de um público surpreendente, incluindo notáveis nomes das letras.  Foi um memorável e fraterno momento que irá para a galeria principal das recordações de minha trajetória literária e de afetos.
Senti-me muito prestigiada ao ser apresentada por Wellington Soares e Thiago E, nomes da maior expressão artística e literária. Abracei velhos amigos camaradas das letras, como Cineas Santos, um nome já incluído na galeria central da cultura e das letras piauienses, que desde o lançamento do meu primeiro livro me acolheu várias vezes em sua lendária Livraria Corisco, onde fui apresentada a vários outros nomes da literatura piauiense, editados ou não pela Editora do mesmo nome.
Como citei na minha fala, recordo que nas inúmeras visitas anuais a Teresina durante todos os anos 80, encontrava-me na faixa entre os trinta e seis e quarenta anos, mas eram prestigiadas por escritores numa faixa etária bem superior à minha, sendo que as exceções foram Cineas Santos, Kenard Kruel, o saudoso Ramsés Ramos e Rubervam du Nascimento. Hoje, de maneira surpreendente e muito, muito gratificante, passo a dialogar com jovens na mesma minha faixa etária de então, o que mostra que essa coisa de “geração literária” não existe. Foram esses, muitos deles até o momento, para mim, apenas livros, que se “materializaram” nesse mágico encontro, em abraços, camaradagem e trocas poéticas das melhores.
Como não citar Demetrios Galvão? o primeiro poeta e editor com quem travei conhecimento, em novembro de 2015 e que veio a formar este “novo ciclo fraterno piauiense”, juntando-se  aos remanescentes de há mais de 30 anos. O encontro com Demetrios aconteceu  durante o 2º Fliáguas (Festival Literário das Águas), decorrido em Luzilândia, PI, para o qual fomos convidados a integrar a mesma mesa de debates. A partir daí, através dos caminhos criados por uma (quase) natural teia, em tempos de comunicação em redes, através da qual fui agregando outros nomes.
Registro alguns desses nomes, ali presentes, em corpo, poesia e palavra:
Wellington Soares, Cineas Santos, André Gonçalves, Samaria Andrade, Thiago E, Marleide Lins, Dudu Galisa, Carvalho Junior, Raimundo Uchôa Araújo, Isis Baião (Isis Maria Pereira de Azevedo Baião), Hildalene Pinheiro, Carlos Galvão, Paula Selma, Ana Villa, bem como Erica Marinho, proprietária da livraria, a quem também muito agradeço pela simpática acolhida.
Indispensável também registrar a presença dos familiares Teles Veras?: Vilma, Teresinha, Vânia, Edmilson, Efigenia, Davi, Nayra, Rafael, Cleonice, Neulsa, Lena.
O encontro foi animado pela bela voz de GabiGabriela e o violão de Geraldo Brito, nomes assíduos da cena musical teresinense.
Espero não ter esquecido outros nomes que, eventualmente não gravei, mas que por sua gentil participação ficaram igualmente gravados na memória afetiva.
Pela postura explícita dos escritores e artistas que ali estavam e se manifestaram (eu incluída) o encontro acaba também por se tornar um ato político e necessário.
Posso dizer que esta homenagem resultou, para mim, num momento epifânico, no sentido mais amplo de liturgia e comunhão, ainda que, neste caso, laica (mas sem deixar o sentido do sagrado de lado, até porque a camaradagem fraterna e coletiva se aproxima dessa dimensão).
Voltei em estado de graça, energizada no meu melhor (literário e humano).
O meu agradecimento profundo a todos os citados, mais os que não foram, mas sabem que estão. (dtv)   

Com o organizador e "mestre de cerimônias" do Café Literário, Wellington Soares

Apresentação de "uma carta de amor", Thiago E

Diálogo poético

a poeta lê os seus poemas

Comentário crítico e leitura de poema por Cineas Santos

Welligton Soares e Raimundo Uchôa Araújo

Hildalene Pinheiro

André Gonçalves e Samaria Andrade


Com Marleide Lins

Thiago E, DTV, Marleide Lins e Demetrios Galvão

Marleide Lins, Cineas Santos, Thiago E, Valdecirio Teles Veras e Demetrios Galvão

GabiGabriela e Geraldo Brito

Carvalho Junior, Wellington Soares, DTV, Dudu Galisa, Hildalene e Thiago E


registro fotográfico Luzia Maninha (que, como sempre, não apareceu nas fotos)

ENCONTROS FAMILIARES (Festas!)




















sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Busca por novas formas de fazer política



Você sabe o que é uma “Bancada Ativista” e o que significa um mandato coletivo, com uma deputada eleita e outros oito CoDeputados com direito a propostas e elaboração de decretos? Pois foi isso que aprendi ontem em detalhes, durante uma reunião do Movimento em Santo André que tenta construir algo semelhante à bela experiência de São Paulo, Capital.
Foi assim:
Monica Cristina Seixas Bonfim, Deputada estadual por São Paulo, ou simplesmente Mônica Seixas ou, ainda, “Mônica da Bancada Ativista da Assembleia Legislativa de SP”, seu nome parlamentar e como é conhecida e reconhecida.
Jornalista, redatora, 33 anos. Fala mansa, mas segura, expressão e clareza no discurso, a CoDeputada compareceu, ontem, quinta-feira, 22.8.19, à III Assembleia do Movimento local, realizada nas dependências da Livraria Alpharrabio, que a convidou para falar de sua experiência nesse modelo coletivo de mandato, algo ainda muito novo e desconhecido entre a maioria.
Nas eleições de 2018, foi eleita deputada estadual por São Paulo, através dessa nova  modalidade de campanha, a primeira vez que uma candidatura coletiva foi eleita no estado de São Paulo.
A Bancada Ativista é formada por nove ativistas políticos de diversas áreas: Anne Rammi, ciclista e ativista de causas ligadas à maternidade; Chirley Pankará, indígena e pedagoga; Claudia Visoni, jornalista, ambientalista e agricultora urbana; Erika Hilton, transexual, negra e ativista de direitos humanos; Fernando Ferrari, militante da juventude periférica e da participação popular no orçamento público; Jesus dos Santos, militante da, da comunicação e do movimento negro; Paula Aparecida, professora da rede pública, feminista e ativista pelos direitos dos animais; e Raquel Marques, sanistarista, ativista pela equidade de gênero e do parto humanizado.  Obteve 149.844 votos, totalizados 0,72% dos votos válidos, a primeira vez que alguém se elege em SP, com esse modelo de mandato.


Mônica iniciou sua fala, pedindo à roda que fizesse perguntas. Anotou e foi encaixando respostas para todas elas, num longo, mas fascinante depoimento, do qual extraí os trechos abaixo:
Apresentou-se: - “preta, mãe, favelada, histórico de violência dos pais, do casamento...  militância política, por necessidade vital e circunstancial, desde os 13 anos de idade. Desde cedo, sabia que minha presença, minha fala, meu corpo...  era incômodo. Já são 20 anos de militância. 2016, em minha primeira candidatura, 2016, fui candidata a Prefeita de minha cidade, Itú (interior de São Paulo), uma cidade reacionária, com um partido monárquico forte. “
- “Eu acredito numa série de coisas e uma delas é de que podemos mudar a forma de encarar a política de forma polarizada, ou seja, apenas como coisa de doutores ou coisa corruptos. A candidatura coletiva não é contra partidos, mas contra fisiologismos”.
“A Bancada Ativista nasce em 2016, como curadoria, ou seja, ajuda de todos em tudo, comunicação, parte jurídica, arrecadação de fundos, etc. No início, eram 15 CoCandidatos, sem experiência nem recursos, preocupados em saber quais seriam os desafios de um mandato coletivo. Com o avançar das coisas, ficaram 9 candidatos, todos referência em suas respectivas áreas, sendo eu a escolhida para concorrer à cadeira, após um longo e exaustivo processo de discussões. Após a eleição, os nove assumiram conjuntamente o mandato. Não trabalhamos com consenso, mas consentimento, ou seja, até o momento em que alguém diga o seguinte:  -Até aqui eu fico confortável ou “pra mim não dá”. Aí para tudo, volta-se à discussão, chama-se mais gente, promovemos debate público até que haja o consentimento de todos. É uma forma de humanizar relações e afetos. Respeitar as diversas e diferentes bagagens”.
- “Assim, eu não sou deputada, não falo em meu nome, o mandato é coletivo. E isso já ficou claro para todo mundo. Somos 9 deputados, mas sem as “vantagens” que um deputado teria. Tudo é discutido e dividido em conjunto. Ora sou figura pública, ora sou assessora de mim mesma. Nosso mandato é maior que nós”.
 - “A civilização precisa de um novo passo. Vivemos uma crise sem precedentes. Cultural, econômica, civilizatória. É o fim da Nova República no Brasil. No mundo, o centro está esvaziado e prevalece a polarização, esquerda e direita”.
- “A Bancada ativista é um movimento de experiência e de renovação. Não é coligação, mas movimento de fissura histórica. Uma nova forma de política, de observar e colocar o centro do cotidiano no centro do poder. A periferia é o centro e suas pautas periféricas, mulheres, feminismo, jovens, movimento negros, LGBTs, etc. O que está pensando a periferia? Colocar a periferia no cento do debate. Sim, é preciso observar. Eles fazem isso com a gente o tempo todo.”


E a conversa, num clima de camaradagem fraterna e muitos questionamentos, entrou noite adentro, com a luxuosa contribuição do músico Fernando Neves que nos fez canta Clube da Esquina.
A clareza e o didatismo sobre a construção da Bancada foi brilhante. Fiquei mais confiante no futuro. Se alguma coisa acontecer para melhor no panorama político brasileiro, será pela cabeça, mãos e pernas de políticos como a Mônica que redime a política no seu mais amplo e verdadeiro sentido.
Quando, Neri Silvestre e Sandro Nicodemo, entusiastas e incansáveis lutadores por novas formas de fazer política e pensar políticas públicas, me procuram em nome do Movimento para solicitar que a livraria acolhesse esse encontro, estava curiosa para ouvi-los, mas não fazia ideia do quanto me faria bem essa noite.
Saí da livraria revigorada. O desânimo que vem me acometendo desde janeiro, amenizado pela presença de tanta gente bacana, jovens, na sua maioria, das mais diversas formações (músicos, artistas, professores, sociólogos, enfim...) ativistas que há anos lutam por causas as mais diversas e pulsantes, dispostos a contribuir com uma sociedade mais igualitária e menos violenta. Mesmo que isso não resulte numa candidatura exatamente na mesma modalidade da Banca Ativista de São Paulo, tenho certeza que a experiência acumulada no processo, muito servirá de aprendizado e bagagem para o futuro.
O processo democrático e coletivo é árduo, difícil, requer dedicação praticamente integral, mas como disse Mônica, “Política é paixão” e serão esses apaixonados pela prática da verdadeira política, aquela voltada para os interesses da polis que poderão fazer avançar o desejo de uma sociedade menos desigual e violenta. (dtv)

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Um posfácio de dtv a título de "documento acadêmico"

Zapeando pelo Goole, encontrei um texto meu, publicado em meu livro À Janela dos Dias, a título de posfácio, como "exemplo de posfácio", na obra "Documentos Acadêmicos". Eu? na Academia? Citada como "exemplo"? Noutro dia, uma crônica minha (vi também pelo Google) foi tema de vestibular de língua portuguesa...
Achei curioso (vaidade? Talvez...)

Livro: "Documentos Acadêmicos: um padrão de Qualidade", Editora Universitária - Universidade Federal de Pernambuco.
Autores: Maria Aparecida Esteves Caldas, Maria Marinês Gomes Vidal, Maria Valeria B. de Abreu Vasconcelos e Luiz Carlos Carvalho de Castro.

Link para a Matéria (pdf) no Google 

sábado, 10 de agosto de 2019

Da Série Objetos com História - II - Agasalhar com a alma




Hoje foi dia de usar a echarpe que pertenceu a minha mãe, Maria Lourdes Olival Agrela, falecida em 2002. Quando tive que exercer a dolorosa ação de doar os seus objetos pessoais (poucos por sinal, roupas, sapatos, enfim), não resisti e guardei duas ou três peças que, além dos vasos de orquídea que até hoje florescem sem os seus cuidados e os descuidados meus, materializam ainda sua presença de uma determinada forma que só a mim faz sentido.

Não sou apegada a bens materiais, mas acabo guardando muitas coisas, não por seu valor monetário, mas pela simbologia da memória que faz parte de minha trajetória de vida. Uma delas é esta echarpe, da qual gosto muito (foi presente meu para ela que, ao contrário de mim, era calorenta e pouco se agasalhava, razão pela qual, a peça é de um tecido leve, mais para ornamentar do que agasalhar)

Como pouco vou ao cemitério, estabeleci algumas formas de homenagear meus mortos queridos e diminuir a saudade que deixaram. O uso desta echarpe, em dias de necessidade de afeto maternal, é uma delas. Além de homenagear, também me acalenta e embala. Quando contei isso a minha amiga argentina Margarita Lo Russo, ela me disse que existia uma bela palavra em seu idioma materno que bem definiria este gesto: “apapachar”, ou seja, “abraçar ou agasalhar com a alma”. Achei isso tão bonito que passei a usar a peça mais vezes, pois, assim, além de relembrar a mãe, agasalhando-me de ternura, homenageio igualmente este belíssimo vocábulo apapachar

domingo, 4 de agosto de 2019

Da série "Objetos com história"


Hoje vesti meu casaco húngaro, adquirido numa visita a Budapest, em 20015, e que me acompanha desde então. Sempre que preciso de energias e por inexplicável razão simbólica (talvez por ser tecido em tear manual, talvez por sua estampa florida e seus botões de ferro...), visto-o e é como se proferisse uma palavra mágica, do tipo “shazam”, para passar o restante do dia com a sensação de cavalgar o dia, feito os “ginetes apocalípticos” daquela terra de fronteiras constantemente alteradas. Os objetos possuem poder.



Abaixo um poema que fiz à época, dedicado àquele povo e que integra um livro inédito e há anos, sempre “in progress”, cujo título, provisório é poemas errantes ou viagens na minha e outras terras:

Magyarország e sua língua

a velha magyarország

século após século
desde sua fundação
no século IX, foi
ocupada / dominada
por romanos,
celtas, eslavos
otomanos, turcos
hunos e russos

do fausto do império
à utopia do comunismo
a hungria cigana
hoje experimenta
a democracia, enfrenta
globalização e consumismo
(nova ameaça)

Dessa história toda
ficou-me a imagem
dos “ginetes apocalípticos”
que cavalgaram dia e noite
comeram a si mesmos
pela conquista da terra
e da própria identidade
cravaram “magyar”
no próprio peito e
nas terras conquistadas
construíram seu patrimônio
numa língua que é só deles
sem parentescos
- singular patrimônio




quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

A poeta e sua memória na UFABC


A minha história pessoal está indelevelmente ligada à história da região onde vivo e trabalho há 46 anos, o ABC, região metropolitana de São Paulo.           

Compulsiva, tenho por hábito recolher, registrar e guardar aquilo que por mim passa. Tanto é verdade, que estou virando peça de Museu. Essa condição, mais o mergulho na memória desta minha quase insana trajetória de ativismo cultural, ainda que o  reconhecimento seja desejável e honroso, não tem sido fácil.
            
O questionamento e a certeza de saber que isto, via de regra, acontece, após ultrapassarmos il mezzo del cammin di nostras vitas que, no meu caso, há muito já ultrapassei, aponta para a certeza da inevitável finitude. O vídeo do link abaixo, é um teaser retirado das mais de 12 horas de depoimentos que gravei para a equipe da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, e fala desses “compartimentos” diversos dos meus campos de atuação e interesse.

            
Juntamente com uma parcela do acervo do Núcleo Alpharrabio de Referência e Memória, esse material de história oral (a minha) fará parte do recém-criado Departamento Histórico e Cultural da Universidade Federal do Grande ABC - UFABC. Sou imensamente grata à Profª Andrea Paula dos Santos Oliveira Kamensky, que desde 2013 muito se empenhou para que seu projeto inicial de pesquisar, conservar e preservar esse acervo hoje venha se tornando uma realidade.

            
Entretanto, sem a jovem e entusiasmada equipe da Pró-Extensão e Cultura da UFABC, PROEC, composta de servidores, estudantes, estagiários e voluntários, tão competentemente coordenada pela historiadora e servidora daquela Instituição, Caroline Silvério, responsável pelo setor de Ações e Projetos, provavelmente não teríamos chegado até aqui da linda maneira que chegamos, com este projeto transformado em Ação Estratégica daquela Pró-Reitoria, ou seja, sem depender mais da concorrência a editais. Estou feliz, agradecida e, naturalmente preocupada, pois dificilmente um projeto como esse é para ser concluído em décadas e tenho dúvidas se posso contar em “décadas” os anos que me restam. De qualquer forma, os primeiros passos foram dados e isso já é muito.


Deixo aqui o meu “Bem haja” a todos/todas que acreditaram e seguem persistindo na utopia da valorização do patrimônio e da memória. 

http://cursos.ufabc.edu.br/digitalplural/arquivo-historico-cultural-do-abc/arquivos/videos/?fbclid=IwAR359nXp695RmdYDFC65KyvSW4fGBavHtxE9LNHNIlLGX_0NMJ_4h8ugZ98


terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

sobre poesia, ainda - testemunho a 50 vozes






Em minhas mãos, este belo volume, saído do forno, cheirando a tinta fresca.
O que pensam 50 poetas brasileiros sobre poesia. Vozes dissonantes, mas coral afinado com a diversidade do pensar e do fazer. Um quase manifesto, testemunhos.
Muita honra e alegria em participar desta obra, ao lado de tanta gente que leio e admiro.

Em 2015, o poeta Tarso de Melo, irrequieto pensador e articulador dos mais incríveis projetos literários, elaborou uma curta enquete, que denominou "sobre poesia, ainda" e   enviou as mesmas cinco breves/agudas perguntas a poetas seus amigos de idades, origens e tendências diversas, de vários estados brasileiros. À medida que as respostas foram chegando, ele as foi publicando no blog “Contra tanto silêncio”. Ao conjunto inicial publicado no blog (28 poetas), juntou-se outro de inéditos, totalizando um timaço que resultou neste “Sobre poesia, ainda – cinco perguntas, cinquenta poetas”, cuidadosa e elegantemente editado pela Lume Editor, organizado e apresentado pelo próprio Tarso, orelhas de Renan Nuernberger e um primoroso posfácio a duas vozes, de Diana Junkes e Fábio Weintraub.
“No fundo, diante de tanto horror, a própria reunião dessas vozes (des)encontradas é um sinal positivo que parece dizer: somos diversos e ainda estamos vivos.” RN, na orelha do livro.

Poetas que integram o livro:

Adelaide Ivánova, Adriano Scandolara, Alberto Pucheu, Ana Estaregui, Ana Rüsche, André Luiz Pinto, Andréa Catrópa, Annita Costa Malufe, Antonio Moura, Bruna Beber, Bruna Mitrano, Carla Diacov, Carlos Augusto Lima, Carlos Ávila, Carlos Felipe Moisés, Casé Lontra Marques, Dalila Teles Veras, Danielle Magalhães, Danilo Bueno, Dirceu Villa, Edimilson De Almeida Pereira, Eduardo Sterzi, Fernando Fiorese, Guilherme Gontijo Flores, Heitor Ferraz Mello, Helio Neri, Júlia De Carvalho Hansen, Júlia Studart, Leila Guenther, Leonardo Gandolfi, Lilian Aquino, Lubi Prates, Lucas Bronzatto, Manoel Ricardo de Lima, Marcos Siscar, Micheliny Verunschk, Nina Rizzi, Pádua Fernandes, Paulo Ferraz, Prisca Agustoni, Reynaldo Damazio, Ricardo Aleixo, Ronald Polito, Ruy Proença, Sérgio Alcides, Sergio Cohn, Simone Brantes, Thiago E, Thiago Ponce de Moraes e Yasmin Nigri.

Observação autorreferente e possivelmente sem nenhuma utilidade prática:

Fui a 9ª a responder às perguntas (respostas publicados no blog em 07.04.2015 – link no primeiro comentário) Mérito nenhum nisso. A pressa foi motivada pelo desejo de me desincumbir de uma tarefa na qual não me sentia nada confortável. Afinal, dentre as “feras” que responderam antes de mim, estava o saudoso Carlos Felipe Moisés, imenso poeta, reconhecido crítico e pensador admirável a quem, merecidamente, a obra é dedicada. Responsabilidade monstra! Fui a primeira mulher a enviar as respostas e  permaneci a única mulher dentre os primeiros 23 poetas publicados no blog o que me causava bastante inquietação, ainda que o organizador me acalmasse dizendo que viriam, como vieram. Finalmente, um bom equilíbrio: 21 mulheres e 29 homens, uma novidade em obras deste gênero, graças ao empenho do organizador que, desde o início demonstrou preocupação com essa questão (as vozes femininas em igualdade de condições).

Observação II 
a)- A quem interessado esteja, temos alguns exemplares disponíveis para venda na livraria Alpharrabio (pedidos para virtual@alpharrabio.com.br). 
b)- Como aperitivo, acesse o blog Contra tanto silêncio:

 (dtv)